nov 25, 2014

Interaction South America 14

POR: Tuia

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O evento

Entre os dias 19 e 22 de novembro ocorreu em Buenos Aires o Interaction South America 14. Para quem não sabe, o Interaction South America é o maior evento anual das áreas de User Experience, Arquitetura da Informação e Design de Interação. O evento ocorreu na Universidad Católica Argentina em Puerto Madero, Buenos Aires, uma cidade linda, que lembra uma São Paulo com ares mais europeus. O pessoal é cabeludo, com mullets, bem vestido, os motoristas são barbeiros pra caramba, e aceitam dólares em quase tudo quanto é loja =P

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Segundo os organizadores do evento, dos UX Designers, Arquitetos da Informação e Designers de Interação lá presentes, os brasileiros estavam em grande peso, representando 50% dos participantes, enquanto que 40% eram de hermanos argentinos e 10% eram de outros países variados. Acho que com isso, podemos ter uma noção de como o Brasil está fortemente engajado na Experiência do Usuário. E como não poderia ser diferente, a equipe da Tuia marcou presença lá, ajudando a formar esses 50% de brasileños.

Como já é tradição do evento, os 2 primeiros dias são marcados por diversas palestras, apresentações acadêmicas, cases de mercado e workshops, com vários ocorrendo simultaneamente. A frustração aqui é ter que escolher uma entre tantas apresentações boas. Bom, no fundo, acho que isso é uma frustração boa :) Já os 2 últimos dias são marcados por autores e figurinhas carimbadas da área, como Andy Polaine, Leisa Reichelt, Jess McMullin, Kendra Shimmell, Steve Portigal, Daniel Mordecki, Erik Dahl, Jeff Gothelf, Nathan Shedroff, entre diversos outros. Você pode conferir a programação inteira do evento aqui.

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O estado da arte

Um dos pontos fortes de um evento como esse é poder ter uma noção do estado da arte da área, da situação atual do setor de UX, por isso não vamos nem tentar resumir todas as ótimas palestras e apresentações que ocorreram no evento, mas sim apenas dar uma impressão geral, um gostinho do conteúdo do evento.

Alguns dos pontos e temas que nos chamaram a atenção foram:

  • Design participativo: o envolvimento dos usuários no projeto não só como pessoas que vão receber a aplicação, mas como co-criadores do projeto, impulsionados pela equipe de design;
  • O uso de workshops como forma de engajar os clientes desde o início do processo de design, com o designer atuando como facilitador e tornando o projeto colaborativo, com menos resistência por parte dos clientes;
  • Estabelecer requisitos de usuários (“princípios de design” específicos) de forma textual e consensual com os principais stakeholders do projeto como um modo de orientar a criação de wireframes;
  • Projetar serviços (design de serviços) como ecossistemas, projetando os diversos pontos de contato (touchpoints) do usuário com o serviço, e não menos importante, a integração desses pontos de contato;
  • Projetar os pontos de contato do usuário com o serviço como microinterações;
  • A análise da retórica da interação, entendida como a comunicação persuasiva do designer com o usuário ;
  • Levar em consideração o merecimento da credibilidade e o fomento da confiança dos usuários;
  • A introdução dos métodos ágeis e lean no processo de UX, através de ciclos rápidos de aprendizagem (inspiração, ideação e prototipação), com testes informais com usuários;
  • O uso do design como meio estratégico não convencional para geração de valor para as empresas;

Algo que nos chamou a atenção nesses temas foram as mudanças graduais e emergentes no propósito da comunidade formada por designers da experiência do usuário, arquitetos da informação e designers de interação. Parece haver um crescimento (ainda que de forma tímida) do design como peça essencial para as tecnologias persuasivas, proposta de trabalho que nos interessa há muito tempo e que tínhamos chamado de design para o comportamento em outras encarnações da Tuia :) Tanto em termos de meios como de fins, o comportamento do usuário cada vez mais é colocado como centro norteador do processo de design. Como meio, o comportamento do usuário (conhecido através de pesquisas e testes com usuários – como a filosofia do design centrado no usuário sempre pregou) acaba sendo uma informação crucial para tomada de decisão por parte do design; como fim, nos pareceu que cada vez mais, o designer está reconhecendo que influenciar o comportamento do usuário é seu objetivo, como forma de gerar valor estratégico para os negócios. Por outro lado, esses avanços parecem ocorrer de forma lenta e gradual; pouco se falou sobre interseções com áreas quase irmãs, que nos parecem essenciais para avaliar os resultados e aperfeiçoar as práticas do designer, como Digital Analytics e SEO.

Outro ponto que merece destaque é sobre os métodos e técnicas do design. Parece que a atividade de projetar cada vez mais está sendo realizada de forma colaborativa, compartilhada, inter e multidisciplinar, com a participação ativa de usuários e clientes, não apenas como fontes de informações, mas como co-autores dos projetos (design participativo, workshops com clientes, ciclos de aprendizagem); o que consequentemente, faz com que o designer se torne cada vez mais um facilitador e catalisador de atividades projetuais, intermediando o interesse dos diversos envolvidos no projeto. Assim como o surgimento da internet fez com que as mídias sofressem uma certa democratização (se antes, eram os jornais que “falavam” e os leitores “ouviam”; com a internet, todos falam – conteúdo gerado pelo usuário), os novos tempos também estão democratizando a função do design: o design é uma função importante demais para ser deixada somente para os designers.

É isso. Assim que o pessoal do IxDa disponibilizar as principais palestras do evento, colocaremos aqui também :)