Linguagem neutra e não-sexista: qual a diferença e como usar em seu produto

Você sabe o que é linguagem não-sexista? E linguagem neutra? Neste post, explicamos a diferença entre as duas e como você pode usar em seu produto.
Imagem com fundo laranja e ícones representando a linguagem inclusiva. O ícone central representa a população transexual.

Uma discussão que ganhou destaque nos últimos anos com o auxílio das redes sociais é a busca de um pronome que abranja todos os públicos, independente de seu gênero. Pauta importante entre os estudiosos de linguística e a comunidade LGBTQIA+, a busca por uma forma de falar realmente neutra ganhou grande destaque no Brasil. Mas afinal, o que é a linguagem neutra e a linguagem não-sexista?

O que é Linguagem Não-sexista?

Dentro do nosso idioma, ficou condicionado o uso do masculino para representar todas as pessoas em determinado contexto. Esse uso de palavras masculinas para representar algo neutro é chamado de neutro genérico. Alguns estudiosos afirmam que essa convenção dentro da gramática é sexista, e foi normatizada por considerarem o papel da mulher inferior ao do homem na sociedade.

Com o aumento dos estudos de linguística, o crescimento do acesso à internet e a popularização de discussões em prol da população LGBTQIA+, o debate sobre uma reformulação dos idiomas como conhecemos se tornou uma pauta frequente. Entre falantes de língua portuguesa, uma das discussões é sobre a busca de um pronome realmente neutro.

Linguagem não-sexista e o pronome neutro

Alguns estudiosos sugerem o uso de terminações diferentes das que conhecemos nos substantivos masculinos e femininos, como no caso de “amigo” para identificar um homem e “amiga” para identificar uma mulher.

Outros grupos sugerem o uso de terminações diferentes das que conhecemos nos substantivos masculinos e femininos, como trocar a marcação de gênero para -e ou o uso de outros caracteres como x ou @, como em amigue, amigx ou amig@. A proposta do que chamam de pronome neutro é que exista uma forma oficialmente neutra dentro de idiomas como o português e o espanhol, como acontece no inglês com o pronome “they”. Nas redes sociais, é comum encontrar o uso de pronomes como o “elu” sendo um equivalente ao “they”. 

Dentro do UX writing, alguns defendem que a terminação em x ou @ não é acessível e prejudica a leitura por pessoas que utilizam leitores de tela, como o NVDA ou TalkBack. A linguagem inclusiva não-sexista é uma maneira de encontrar essa neutralidade de forma que abranja todos os gêneros, sem alterar a estrutura do idioma como conhecemos e sem prejudicar outros grupos, usando palavras já conhecidas que não dependam do uso de um pronome feminino ou masculino para fazer sentido.

Como aplicar a linguagem não-sexista no UX Writing

A maioria dos profissionais de UX Writing recomendam usar termos mais abrangentes, que fujam do neutro genérico, ao mesmo tempo que sejam de fácil compreensão para quem necessite de leitores de tela.

Um bom exemplo desse caso é o “bem-vindo”. Quando usamos “bem-vindo” em um aplicativo, excluímos as usuárias mulheres, sejam elas cisgênero (que foram designadas mulheres ao nascer e se identificam como mulher) ou transgênero (mulheres que não se identificam com o gênero designado ao nascer), excluindo também quem não se identifica com nenhum gênero, como as pessoas não-binárias. Uma solução é o uso de “bem-vindo (a)”, mas ela não é eficiente para quem precisa de leitor de tela, pois ele na maioria das vezes irá ler como “bem-vindo parênteses a parênteses”. Uma solução nesse caso é o uso de “olá” ou de “boas-vindas”, que mantém uma comunicação cordial sem definir o gênero da pessoa usuária.

Em contrapartida, alguns defendem o uso de substantivos biformes, como escrever “usuários e usuárias” ao invés de apenas “usuário” ou “usuário(a)”. Também é bem comum o uso de “pessoa”, acompanhado de substantivo, como em “pessoa usuária”.

Na hora de escrever o texto de seu produto, é importante se atentar à acessibilidade do mesmo e também ao uso do neutro genérico. É importante que a experiência seja acessível a todas as pessoas usuárias, então se atente aos caracteres especiais e à formatação de texto. Mesmo que de acordo com a gramática portuguesa, o uso de “bem-vindo(a)” ou “usuário(a)” não é acessível para quem depende de leitores de tela. Busque usar termos que não dependam de um pronome ou de parênteses para funcionar, principalmente em telas iniciais.

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